8 atitudes para educar sem o uso de castigo físico

Para educar sem usar a palmada ou o castigo físico, os pais devem levar em conta as necessidades e possibilidades de cada faixa etária da criança. A seguir, algumas atitudes para prevenir o uso de castigo físico:

_ Estabelecer com a criança limites claros, coerentes e consistentes, para que saibam o que podem ou não fazer. Alguns exemplos: com comida não se brinca, mexer no computador do papai ou da mamãe não pode, não pode mexer na bolsa da mamãe, pode brincar apenas depois de fazer a tarefa, etc.

_ Fazer com que a criança assuma as consequências pelos seus atos, positivos e negativos. Os pais devem premiar o bom comportamento em forma de elogio, incentivo e ressaltando o que a criança faz de bom. Não adianta apenas apontar os erros, é preciso se lembrar de aprovar os acertos, senão ela não vai ver razões para continuar agindo de forma correta.

_ Dedicar um tempo do dia para ficar com elas.

_ Procurar tomar as decisões junto com elas, explicando os porquês quando a sugestão da criança não puder ser aceita.

_ Escutar e respeitar a opinião da criança e estimular a sua autonomia.

_ Elogiar o que elas fazem bem e, no caso de uma crítica, falar sobre a ação realizada e não como se fosse um problema pessoal. Por exemplo, dizer: “Meu filho, não é correto pegar o que não é seu, sem pedir antes ao dono”; e não “você é desonesto, egoísta, e quer tudo para você”. Apresente o fato como algo a ser analisado, repensado e refeito, sempre dentro das possibilidades da idade e da compreensão da criança, nunca como alguma coisa imutável no jeito de ser da pessoa. Assim, ele não se sentirá ofendido ou humilhado.

_ Procurar se colocar no lugar da criança para entender o porquê dela estar agindo ou pensando de uma determinada forma.

_ Conhecer as possibilidades das crianças em cada uma das faixas etárias e deixá-las assumir responsabilidades segundo suas capacidades.

 

Os pais precisam ter consciência de que educar requer muita paciência e repetição. Como diz a autora do livro Limites sem Trauma, Tania Zagury: “Educar envolve um novo desafio a cada dia. Cada situação tende a se repetir muitas e muitas vezes, transmudada em outras formas, porém com a mesma essência. Muitos pais hoje são tão imediatistas quanto seus filhos — querem tudo para hoje, para já, para agora. E, em educação, não dá para ser assim. Há que se repetir, com calma, centenas e milhares de vezes a mesma coisa, para funcionar…”

 

Fontes: “Cuidar sem Violência, todo mundo pode! Guia Prático para Famílias e Comunidades”, elaborada pelo Instituto Promundo; “Limites sem trauma, construindo cidadãos”, Tania Zagury.

 

Crami faz campanha para arrecadação de material escolar

Sabemos que as aulas já começaram, mas temos algumas famílias que não conseguiram comprar material escolar por não terem condições financeiras. Assim, se você tiver algum dos itens abaixo, o Crami e as famílias assistidas agradecem! Em caso de dúvidas, entre em contato pelo telefone 19 3251-1234.

  • Caderno
  • Lápis preto e de cor
  • Apontador
  • Caneta
  • Borracha
  • Estojo
  • Mochila
  • Cola

 

Secretaria de Direitos Humanos promove Campanha de Enfrentamento da Violência Contra a Criança e o Adolescente no Carnaval

“Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. Proteja nossas crianças e adolescentes da violência”. Este é o lema da Campanha Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual de Crianças e Adolescentes no Carnaval, realizada anualmente pela Secretaria de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e do Direitos Humanos. A mobilização destaca o Disque 100 como o principal canal de recebimento de denúncias sobre violações de direitos humanos do governo federal, além dos conselhos tutelares.

O objetivo da ação é conscientizar as pessoas sobre a importância de prevenir e denunciar casos de violação de direitos das crianças e adolescentes nesse período de grande movimentação turística no Brasil. A Campanha visa mobilizar parceiros da rede governamental e não governamental de proteção e da sociedade geral, bem como de lideranças e artistas envolvidos com o Carnaval para adesão e divulgação da campanha.

Faça a sua parte. Fique atento aos direitos das nossas crianças e adolescentes e, em caso de violações, Não desvie o olhar. Fique atento. Denuncie. PROTEJA. Divulgue esta campanha, procure o Conselho Tutelar ou Disque 100. Proteger nossas meninas e meninos de todas as formas de violência é uma responsabilidade de todos!

Fonte: Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República.

Palmada Educa?

Aprovada em maio de 2014, a Lei do Menino Bernardo, apelidada de Lei da Palmada, estabelece a proibição do uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis ou degradantes na educação de crianças e adolescentes. A lei gerou e ainda gera polêmica, por muitos considerarem que a palmada, desde que leve, como muitos dizem, não traz prejuízos à criança, ao contrário, é efetiva na educação.  Mas será que ela realmente educa?

A publicação “Cuidar sem Violência, todo mundo pode! Guia Prático para Famílias e Comunidades”, elaborada pelo Instituto Promundo, considera que “a palmada faz com que as crianças aprendam pelo medo e, portanto, isso não significa que a criança adquiriu um novo conhecimento”.

E por quais razões os pais usam essa forma de educar? O Guia traz como justificativas:

– porque acham que é importante para a educação dos filhos;

– para descarregar a raiva;

– porque perdem o controle;

– porque acreditam que é o meio mais eficaz para evitar que os filhos repitam uma atitude ou comportamento considerados perigosos ou muito inadequados.

E por que não devemos bater nos filhos?

– Porque ensinamos o medo e a submissão, minando a capacidade das crianças de crescer como pessoas autônomas e responsáveis;

– Paralisamos a iniciativa da criança, bloqueando seu comportamento e limitando sua capacidade de planejar e resolver problemas;

– quando as crianças têm medo de serem castigadas, não se arriscam a tentar coisas novas, de modo que não desenvolvem sua criatividade, sua inteligência e seus sentidos;

– não estimula a autonomia, nem permite elaborar normas e critérios morais próprios;

– estimula uma relação em que a criança consegue mais atenção dos pais por meio da transgressão da norma do que por atitudes positivas;

– oferece a violência como um modo válido para resolver conflitos aprendendo atitudes violentas;

– dificulta o desenvolvimento de valores como a paz, a democracia, a cooperação, a igualdade, a tolerância, a participação e a justiça, essenciais para uma sociedade democrática;

– legitima o abuso de poder dentro de todas as relações familiares;

– traz consigo sempre o castigo emocional, fazendo com que a criança sinta que não tem o carinho dos pais nem sua aprovação.

A mestra em educação, Tania Zagury, em seu livro “Limites sem trauma” ressalta ainda que “bater não resolve os problemas da relação, apenas encobre os conflitos e, ainda assim, por pouco tempo”. Além disso, ela aponta que depois que os pais se acalmam, sentem-se culpados e tendem a “afrouxar” de novo os limites, para aplacar a sensação aflitiva de culpa, perpetuando a situação de conflito.

Existem outras formas de educar a criança muito mais efetivas e humanas que o castigo físico e humilhante. Certamente é um método mais trabalhoso, pois requer o estabelecimento de limites claros, coerentes com a faixa etária e consistentes e que necessita de tempo e paciência para que a criança entenda e obedeça. Porém é muito mais efetivo e cria um vínculo muito mais forte com os filhos. Em outro artigo, podemos tratar desse outro jeito de educar.

Leia mais sobre esse tema: No blog Cientista que virou mãe, há a tradução do artigo intitulado “O castigo físico de crianças: lições dos últimos 20 anos de pesquisa”, publicado no periódico científico CMAJ – Canadian Medical Association Journal . O artigo é do editor da revista, inspirado por estudo canadense que analisou os resultados das pesquisas sobre castigos físicos infantis realizadas nos últimos vinte anos. Acesse aqui.