Prevenção aos crimes ligados à Pedofilia

A pedofilia está entre as doenças classificadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) entre os transtornos de preferência sexual. Segundo a OMS, pedófilos são pessoas adultas (homens e mulheres) que têm preferência sexual por crianças – meninas ou meninos – do mesmo sexo ou de sexo diferente, geralmente pré-púberes (que ainda não atingiram a puberdade) ou no início da puberdade.

Não existe um tipo penal chamado “pedofilia”. A pedofilia pode ser praticada através de vários crimes e os mais comuns são o estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal) e a produção, venda, troca, armazenamento de cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente (artigos de 240 a 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente).

O principal alerta em relação a esses crimes é que qualquer adulto pode ser um pedófilo. Não existe qualquer característica física, profissão, raça, religião, gosto ou tipo de personalidade que todos os pedófilos têm em comum e possa servir de parâmetro para identificá-los. O pedófilo pode ser extremamente atraente emocionalmente, ser bem sucedido, ter família, parecer uma boa pessoa e ainda assim ter pensamentos sexuais predatórios em relação às crianças. Dessa forma, nunca devemos descartar a ideia de que alguém pode ser um pedófilo.

Os números mostram que 30% das crianças que sofreram abuso sexual, foram abusadas por um membro da família e 60% por um adulto que conheciam e que era do seu círculo social. Isso significa que somente 10% das crianças abusadas foram abordadas por um estranho.

O maior erro dos pais e responsáveis é acreditar que o algoz é alguém distante. Ao contrário, o pedófilo normalmente é alguém conhecido da criança por meio da escola ou de outra atividade, como um professor, padre, pastor, vizinho, amigo da família, treinador…

E por normalmente ser alguém próximo, o pedófilo age com paciência e cautela. Ele conquista a confiança da criança primeiro, e muitas vezes de seus pais, para então agir criminosamente. Ele pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com a criança de outras formas. É baseado nessa relação de confiança que eles agem na certeza da impunidade, já que muitas vezes a criança fica confusa em relação ao que está acontecendo, não sabendo distinguir um ato de carinho de um crime bárbaro.

Temos muito com o que nos preocuparmos! De acordo com a Safernet no Brasil — organização social que atua em parceria com o Ministério Público Federal no combate aos crimes cibernéticos — cerca de mil novos sites com conteúdo que remetem à pedofilia são criados por mês no Brasil, um dos fatores que faz do país o principal consumidor de pornografia infantil no mundo.

Os melhores caminhos para prevenção são a atenção incansável e o diálogo aberto. A criança precisa estar informada e saber com muita clareza o que um adulto pode ou não fazer com ela. A criança precisa ser vigiada e suas atividades no mundo real e virtual precisam ser constantemente monitoradas. E sobretudo, ela tem que ter uma relação forte de afeto e segurança para que ela se sinta bem para contar qualquer coisa que aconteça com ela.

O que não podemos é nos calar! A pedofilia se alimenta do silêncio. Quem não denuncia, também violenta!

Autora: Carolina Defilippi

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