Grupo Viver Bem: 4 anos de vivências e muita arte

Dedicar-se a um trabalho artesanal num contexto de violência significa um “respiro” nos problemas enfrentados no dia a dia e possibilita até o descobrimento de uma fonte de renda ou hobby. Pensando nisso e com o objetivo de fortalecer vínculos entre assistidos e instituição e a promover a troca de vivências, há quatro anos o CRAMI Campinas criou o Viver Bem.

Maria Cristina Rodrigues de Oliveira, uma das primeiras participantes do grupo, aprendeu a fazer caixinhas em MDF e hoje consegue vender o que produz.

Maria Cristina Rodrigues de Oliveira

“Cresci muito participando desse grupo. É muito bom estar aqui. Já tive encomenda de 40 caixinhas para um aniversário.”

Maria Cristina Rodrigues de Oliveira

Composto somente por mulheres, de todas as idades, o Grupo Viver Bem oferece uma diversidade de atividades, que vão de momentos de concentração do trabalho manual a compartilhamento de alegrias e tristezas e trocas culturais e de saberes.

Ieda dos Santos Coelho

 “Quando venho no grupo, me sinto muito bem. É um espaço só para nós”

Ieda dos Santos Coelho
Santa de Souza Neves

 “Eu gosto muito de participar, é onde desligo um pouco de casa”.

Santa de Souza Neves

Nos encontros, que acontecem uma vez por semana, por duas horas e meia, são compartilhadas diversas técnicas relacionadas a produção de artesanato. Neste ano, já foram propostas técnicas como pintura, mosaico, tecido, decoupage, pátina, além da elaboração de produtos para o corpo e a casa, como sabonete líquido, aromatizador e sais de banho.

Uma vez por mês há um dia dedicado a reflexão, momento em que são abordados temas como a família, o ser mulher, o trabalho, políticas e saúde. As atividades do grupo são pensadas por uma comissão composta por psicólogas, assistentes sociais e educadores sociais.

“A participação das mulheres no Grupo contribui em seu fortalecimento, autonomia, descoberta de potencialidades e melhora na autoestima. Também oferece a oportunidade de as participantes conhecerem comércios, espaços de cultura e lazer.”

Daniela Watanabe, psicóloga; e Sidnéia Carreiro, assistente social

A equipe considera o grupo como uma forma de se vincular às famílias ao CRAMI e dessa forma facilitar o acompanhamento no serviço. “É um momento importante, pois promove o lado terapêutico, de muita troca entre as participantes, de revelações, o que nos possibilita compreender melhor as vivências daquela família e assim podermos contribuir para a resolução dos conflitos”, avalia a psicóloga Domenica Cezarino. “Temos o caso uma participante que era bastante depressiva e depois do grupo ela conseguiu se empoderar, cuidar mais dela, dos filhos, viu que podia produzir algo. O grupo foi um espaço que a possibilitou falar de suas angústias e perceber que outras mulheres também vivenciam problemas. Essa participação lhe deu ânimo para viver. Assim como esse caso, temos outros em que o grupo auxiliou na transformação”, complementa.

“No último dia 06 de setembro, realizamos nosso primeiro passeio cultural. Após um dos encontros dedicados à reflexão, percebemos que grande parte das mulheres não havia ido, ou há muito tempo não iam ao cinema, então fomos ver uma sessão no Shopping Bandeiras, na região noroeste de Campinas”, conta o Educador Social Douglas Molinari.

Douglas revela que o grupo vem se recriando e reciclando a cada ciclo, e agora para o final do ano se prepara para participar de feiras de artesanatos. Um novo passo na vida dessas mulheres. Se antes o olhar se restringia a si mesmo, agora o desafio é olhar o outro, desenvolver o senso crítico. Afinal, antes, toda produção artesanal era feita para si mesmo. Agora, as mulheres precisam produzir pensando no potencial de venda do produto. Um olhar para fora. Uma nova fase está por vir.